Maria Madalena


Meu amor resta infrutífero, agora
Mas, ainda direi algo lindo: eu nunca agonizo
Minha alma rota insâna, aquém
Mescla ânsias de amor latente entre novas amarguras
Meus atrasos rasos infiéis, aqui
Mentem assim: discadamente algum libido. Eu, não ama.

Quando vais eu ver, ter e requer, enfim, ó Maria?
Quando vais aprender amar de verdade? Silêncio.
Menos fala, menos barulho. Tente ouvir a consciência
Gritar aos berros a resposta tão simples e fácil.

Quando vais aprender amar de verdade?

Michael Wendder - Direitos Reservados

Preciso aprender falar com Deus


Eu, já nem sei sou digno de olhar em tua direção;
Muito menos de procurar tua face, o brilho da tua majestade.
As coisas na terra são tão difíceis, o ser humano é tão mesquinho;
Não sabe amar como tu amou e quando tenta, apenas aumenta o abismo
Das mágoas e das chagas lançadas por palavras indevidas.

Deus, eu que ainda não aprendi a caminhar com as próprias pernas
E, por um instante quis correr em outras direções,
Provar de outros sabores, de outras sensações, de outros amores;
Restei completamente incompleto. Estou destruído. Deus, estou acabado!

Eu sei que podes ouvir e muito bem as minhas súplicas;
Sei que o meu canto, o meu gemido e as minhas lágrimas
Estão sendo colhidas neste instante em que as palavras
Ganham sentido e arranjo neste texto. Eu bem sei.

Peço, rogo e suplico tão somente por uma coisa
Cura o meu coração. Necessito de milagre! Olha a minha condição!
Olha a minha humana condição e me ensine a perdoar
E saber que apenas a sombra do calor das tuas asas me basta.

Agora que vão se as horas e honras desta vaidade que ganho alheia
Eu te convido pra cear comigo, uma vez mais, meu bom mestre.
As coisas aqui, dentro deste nosso lar estão feridas, sabes?
Estão marcadas e totalmente desiludidas. Então eu paro e piro
Neste amor que cobre multidões de pecados confessados.

Eu confesso, cada milímetro daquilo que não te agrada e lanço fora
Jogo todos na tua cruz, pois estou a espera da tua transformação
As minhas marcas são profundas. Mas, o teu amor é de maneira "tal"
Esse "tal" que é incomensurável pela própria maneira de ser
É aquela luz, aquela esperança que outrora perdida passa
Ser renovada na tua companhia. Na tua doce companhia.

Quanto aos meus inimigos, receba-os também nas tuas mãos;
Aos meus amigos, colegas, família e tantos outros filhos seus,
Grato por este amor. Que amor é esse? Que amor é esse?

Preciso aprender a falar com Deus. Assim, simples como agora.
Eu preciso, eu preciso, eu preciso, eu preciso, eu preciso ...

Por fim, não me deixe esquecer, meu bom Pai daquilo que mais preciso:
Saber ouvir e reconhecer a sua voz em meio a multidão.

Amém... Além...

Michael Wendder - Oração das 22.

A primavera chegou



O calor de tuas palavras aqueceram minha alma
E tive disposição para viver dez ou vinte mil gerações à frente
Os dias maus são apenas pó perto da eternidade;
As tempestades são apenas momentâneas,
As dores, não são parte de nossa essência.
As lágrimas, as lástimas. Tudo passa.
Isso tudo eu aprendo com o calor das tuas palavras.
E o que dizer de alguém como você: Nada. Não direi nada.
Feche os seus olhos e olhe dentro dos reflexos do meu coração
Do meu grato coração que adora. Mais que obrigado!
A primavera chegou pra mim esta noite.


Michael Wendder - Direitos reservados.

Dedicado ao nobre e ilustre amigo, Marcelo Tabarelli

Só por querer e ousar amar.


Estou assim...

Eu atirei no próprio pé de minhas amarguras;

Agora todas as minhas feridas estão expostas ao sol;

E nem os abutres delas vêm se alimentar.

A terra tem pena de mim e o vento corta caminho

Prefere soprar outras faces de menor fracasso

Restei só entre medo, dores, dores e dores de amor;

Mas, eu sobreviverei. Eu tenho que sobreviver!

Isso passa. O sol sempre nasce no outro dia;

Forte, entre nuvens, fraco, amarelo ou cinza;

Ele sempre nasce de novo...

Estou assim, quase morto por só querer e ousar amar.



Michael Wendder - Direitos reservados

Verdades?


Verdade: Não coloques as mãos sobre os seios, minha filha
Tampouco tu, sobre o pássaro, meu pequenino. É feio.
Verdade: Não coloque o dedo no nariz,
Não tussa sem por a mão na boca,
Não mate, não morra, não transe sem camisinha. Nunca!

Verdade: Não coma com os braços sobre a mesa, filha minha
Tampouco tu, de boca aberta que os restos se vislumbrem filho. É feio
Verdade: Descobri sem querer a vida. Descobri em você minha paz.
Não xingue o padre, o pobre ou podre fétido da esquina,
Não tome o que não puder pagar, nem águas paradas de chuva, na rua ou na fazenda.

Zeca, Kid, Chico. Porque a verdade não pode ser uma bela mentira pintada colorida?
Não dá pra misturar um pagodinho, abelha e Holanda? A Vanusa manja. Ela canta!
Verdade: minta pra mim o que e quanto puder e quiser. Mas saibas que sei ver-te
Não fuja das leis, da cadeia ou da comarca sem a prévia autorização deste juízo infantil. Não fuja dos mandados, nem do teu mandato já cassado
Não fujas de mim, ou melhor, dessa casca de vícios minuciosos que é você mesmo.

Verdade? Depende do ponto: do trem, do metro, de ônibus, da van
Da circular, da crítica e até mesmo da oposição. Do ponto de vista. De quem?
Do bispo, do prefeito, dos banqueiros ou da Nova Ordem Mundial iluminada.
Não existe verdade absoluta senão aquela criada por nós mesmos, os cegos.

Michael Wendder - Direitos reservados

De vinte oito a trinta


De vinte e oito a trinta, meu coração vai de zero a mil em um segundo;
Nada que ocorre é por acaso. Todas as coisas preservam um porque de ser;
Até a mais proba inocência necessita ser velada e dita para florescer;
Eu sucumbi de um morro abaixo e bati asas além do além dos seres fortes;
Vomitei meu asco e engoli completamente o pus que tu me deste de manhã;
E não foi pouco, foi de saciar a fome duas nações por vinte gerações.
Você me pôs ao extremo do amor, do tesão, do ódio, do nojo de todas as coisas.
Idiota. Amanhã é dia primeiro. Voltarei para a polis do eu que quase perdi
Aos caminhos de tua bárbara incoerencia aceno de longe um tchauzinho murcho.
Há muita vida pela frente, do lado, em cima, embaixo, do avesso dos ponteiros.
Do outro lado do oceano atlântico.

Michael Wendder - Direitos reservados

Quem aqui tem preconceito?


Pré conceito: Algo antes de um conceito real, ficto ou, nas sábias palavras do Pai dos Burros, é qualquer sentimento ou opinião, favorável ou desfavorável, sem exame crítico. Cadê a razão desse povo? Preconceito: Que palavra pesada essa! Imagina, em pleno século XXI, onde tudo é tão “de boa”, particularmente, até axo chique de ver um “negrinho” atuando nas novelas ou ver um “pretinho” ser escravo em alguma peça teatral. Quiçá seja selecionado ainda para um “Grande Irmão” desses tantos da vida. É vip, fashion, está em evidência: Hussein Obama que o diga.
Semana passada, liguei a televisão e fiquei indignado com uma notícia de violência entre jovens “boiolinhas”. Tadinhos, que culpa eles tem se não gostam da fruta? Que culpa? Ao mais, todo mundo sabe que desde os tempos mais remotos da história a “viadagem” corria solta e era normal. Não sei por que e pra que todo esse alarde hoje em dia. Que povo intolerante!
Em verdade, creio que estão tentando “denegrir” nossas verdades atuais. Só pode viu. Mas, não vou discursar sobre esses estereótipos: Sou uma “negação” nisso. Nesses tempos em que a coisa está “preta”, “negarei” ainda mais pegar a onda do casulo ou do acaso planejado.
Ouvi tanta coisa ultimamente que resolvi mudar. Em casa não tomamos mais Coca-Cola, isso engorda, deixa a gente “balofo” e muito feio. Nossa! Ninguém merece aquelas dobrinhas na praia. Cada pneu que mais parece um estepe. Tapo os olhos e quase fico... Não, não. Pensando bem, cego, não... Usar óculos? Que coisa de velho, é muito escroto. Nem rola. O negócio é malhar o “corpitcho” e usar uma lentizinha verde, evitar sol pra não queimar, né e ser feliz, “igual a todo mundo normal”. Já posso ate ouvir o grande coral: Lindo, tesão, bonito e gostosão!
Mudando um pouco de assunto, mas na mesma vertente, eu como sou um cara moderno e sem nenhum tipo de preconceito, sugeri pra minha esposa uns “rolés a três ae”, “uns pegas”! Saca aquelas trocas de casais. Ia ser o bixo. Mas, porém, entretanto, todavia, contudo, então, ela como é muito cabeça fechada surtou. Disse que eu não a amava mais e etc. Enfim, já estava decidido. Saí de casa e fui me divertir um pouco.
No caminho, parei num bar bebi muito. Fiquei puto porque Doriana não estava comigo né. Puxa a gente tem uma história juntos. São 03 meses de casado. Isso é quase uma vida brow. Ainda mais, se for pegando todo dia o mesmo arroz com feijão e osso. Como é magra. Mas, antes magra que leitoa.
A cada gole, a cada trago, a cada pedra no sapato que tirava e cheirava, a vida melhorava. Mó viagem, um misto de chulé e baseado saca. Demais velho. Tomei uma decisão: Se saí de casa pra me divertir, eu ia cair na gandaia mesmo. Antes de ir pra assistir os casais “ficando”, parei numa boate iluminada.
Caracas! Puta que os pariu e a mim também. A eu não: Nunca vi tanta gente reunida num só lugar. Parecia fila do dia de Cosme e Damião ou Show de Grátis do Luan Santana na periferia. Quanto nego. Alguém aí chacoalhou o pé de jabuticabas ou as sementes de melancia maduraram todas no meu jardim?
Nos meus tempos de glória, as boas festas eram nas casas mesmo ao som de Michael Jackson, Madonna ou algum cantor punk louco que gritasse alto e dançasse bem. Dizem que quem está na chuva é pra se molhar, logo, entrei na tal festa. Sentei num dos banquinhos de lá e o que eu vejo? Dois machos colados. Que merda era aquela mano! Fiquei na minha. Eu não tenho preconceito não, mas, sei lá. Estranho.
No fundo, algo me chamou a tenção naqueles dois “viados duma figa”. Firmei os olhos e vislumbro Dinho, meu filho de 13 anos. Nossa, como eu soquei a cara dele de porrada. Que vergonha! Alias, eu tentei né. Contudo, o “boy” dele não deixou e me expurgaram da festa. Eu filho, um terceiro sexo? Demais pra mim.
No outro dia soube que era uma festa “do babado”. Dae se explica tanto saopaulino juntos num mesmo lugar né. Foda. Tenso. Que era aqeuilo. Alias, que foi aquilo.
Minha mulher, quando entro no quarto está deitada com poucas roupas. Há vinho derramado pelo chão, uma calça que não é minha e toda sorte de restos, os mais íntimos de uma noite “nada bem dormida” por todo lado que se olhava.
Literalmente! Meu mundo caiu! As palavras de Maysa nunca foram tão orquestradas na minh’alma. Não é fácil ter um filho homossexual. Eu falo porque o filho da vizinha do 315 é uma “bixinha” doida. Pensa, e se ele, meu garotão, quiser por peitinhos? E se começar a falar fino? Pior, e se virar saopaulino e se casar com um corintiano? Só faltava agora querer virar muçulmano e sair por aí explodindo escolas, creches, orfanatos ou matando um astro pop pra intentar ser “mais popular que Jesus Cristo”.
Fiz meu porta retratos, ou seria mais o me porta retalhos: Uma mulher vadia. Um filho homossexual e sim, eu descobri tempos depois: ele tinha um Alcorão na gaveta. O que mais me falta acontecer?
São 06h30 do dia 17 de março de 2008. E acabo de lembrar o que meu dia precisa pra nascer feliz: Tenho urologista logo cedo. Mas ele não vai enfiar aquele dedão no meu reto nem a pau. Vamo tudo pela maquininha, pela tecnologia. O que é isso? Já pensou um puta “negão” mandando ver o dedo em mim, deflorando minha inocência. Isso é não preconceito. Mas, acho natural se tiver que morrer de mal da próstata. Todos vão morrer um dia mesmo. Ao menos não morrerei violado. Deixe o lacre como Deus o fez. Piscando apenas quando o medo aperta e olha lá. Afinal de contas, quem tem, tem medo.
Cheguei num ponto tal que a minha filosofia atual é não pensar em mais nada. Penso em voltar à escola e retomar os estudos apenas. Não quero viver como um bando de índios vagabundos, o dia inteiro debaixo de sombra e água fresca e chamar isso de cultura. Ou esses pagodeiros que se dizem músicos. É o fim da picada. Inchada na mão “negada”. Fala sério! Ainda, como aquela “” toda que trampa pra eu em casa e na empresa. Vida de pobre me da arrepio. Asco.
Um tal de tomar água em copo de massa de tomate, dividir o mesmo sanduiche de “mortandela”, fazer comprar em brechó, por água na geladeira em litro de guaraná barata. Para com isso. Que derrota! Eu não sou preconceituoso, só penso que as pessoas, sei lá o que pensar delas...
Esses dias minha cunhada teve o disparate de apresentar o genro dela com o maior orgulho: “Olha gente, o Zé é um moço direito, honesto, trabalhador”. Vi naquele discurso um ar tão puritano que me embrulhou o estomago. Não falou o essencial: Era servente de pedreiro. Ganhava uma fortuna por mês, cerca de uns seiscentos reais. Preço que não pago nem o meu IPVA. Isso é orgulho? Fala, fala, fala sério, né?
Pra ajudar, minha ficante está gravida. Fazer o que né? Vamo criar o “bagulho” que ta vindo ae”. Mas, não quero minha futura filha enrolada com um pedreiro ou serviçal qualquer não. Filha minha vai namorar um cara legal e normal, iguais os outros, iguais a ela. Nada de “cabelos pixaim”, ficar cinza no frio, nariz de coxinha amassado e nem poder pegar um bronze lá na nossa casa de Angra. Eu mato ela!
Pensando bem, vou escolher a dedo o futuro paquerinha dela quando chegar a hora. Vou preserva-la dos aidéticos, dessas baleias esfomeadas que comem demais, desses índios, pagodeiros, boiolinhas, biscates de esquinas, porque do jeito que esse mundo está cheio de gente preconceituosa, são até capazes de acreditar em Isaias e queimarem o Cristo Europeu de olho azul. Que sacrilégio.
Desse mal eu não morro. Eu não tenho preconceitos! E livrai-nos do mal; Amém.